Promoção e Prevenção em Saúde

Rede de Violência



Estratégia de controle das violências no município de Maringá

15ª EXPOEPI - 2016 - 28/11 a 02/12/2016

Como estratégia para o enfrentamento das violências, Maringá, por meio da secretaria de saúde  reativou em 2011 a Rede de Atenção e Prevenção à Violência, criada em 2006. Foram formados 13 grupos locais, descentralizados, que até hoje, reúnem representantes das secretarias municipais de saúde, educação, mulher, assistência social, organizações não governamentais e conselho tutelar, com objetivo de incrementar as ações de intervenção e notificação de violências.
Como resposta à necessidade dos 13 grupos, foram realizadas 9 capacitações sobre violência para trabalhadores da educação, assistência social e saúde. Cada grupo descentralizado se reúne mensalmente para discutir os casos de violência de sua região, encaminhamentos e planos de cuidado. Periodicamente representantes desses grupos se reúnem para trocar experiências, discutir erros e acertos e deliberar sobre ações preventivas a serem realizadas pelo município.
Como resultado quantificado, houve aumento de 130% nas notificações no SINAN,  no primeiro ano de atuação dos 13 grupos.
O mais recente produto do trabalho da rede de violência foi a nomeação do Comitê de prevenção e posvenção ao suicídio, tendo em vista o grande número de notificações no SINAN, de violência autoprovocada (cerca de 30% do total de notificações de violência) e o desconhecimento por parte, principalmente, dos profissionais de saúde, sobre como lidar com o tema.

Objetivos

• Organizar e incrementar ações relativas ao controle da violência no município de Maringá
• Capacitar os trabalhadores da saúde, educação e assistência social para identificarem, avaliarem  e manejarem casos de violência
• Aumentar o número de notificações de violência no SINAN

Descrição das técnicas, métodos ou processo de trabalho

A partir de oficina realizada em 2011 com trabalhadores de diversos serviços, que possuem contato direto com a população, de diversas secretarias municipais, houve a criação dos 13 grupos descentralizados, organizados por territórios. Isso possibilitou a integração de serviços que apesar de próximos, tinham tinham dificuldade de relacionamento por não se conhecerem. Como resposta à necessidade de atuação intersetorial efetiva, e melhores resultados com relação a atuação junto a casos de violência se organizou  uma divisão do município em 13 microterritórios. Cada microterritório, composto por representantes de todos os serviços públicos e ONGs, elegeu um coordenador e passou a se reunir mensalmente para discussão de casos específicos de violência, daquela localidade.
Ocorrem também reuniões mensais dos coordenadores de cada grupo e a gerência de promoção em saúde, a fim de que todo o município fique integrado com um mesmo objetivo: a atenção e a prevenção às situações de violência. Para melhor atuação dos grupos foram criados instrumentos específicos tais como ficha de registro de caso, atas de reuniões e formulário de encaminhamento de casos entre os diversos setores.
A partir dos encontros e das discussões de caso dos 13 grupos, detectou-se a necessidade dos profissionais em lidar com o tema violência, foram realizadas várias capacitações, com diversos enfoques, relativos à violência, para diversos públicos: diretores de unidades básicas, membros de conselhos de direitos, profissionais da saúde, educação, assistência social e população em geral.

Principais resultados encontrados

A primeira percepção dos profissionais que passaram a compor os 13 grupos descentralizados foi o sentimento de empoderamento, tornando o espaço um local de facilitação de contato, assim como de troca de ideias e informações. Esse conhecimento otimizou  o encaminhamento de casos e proporcionou uma melhor integração entre os serviços, maior comprometimento e menos estresse entre os profissionais.
Foram criados protocolos específicos para atendimento de crianças, adolescentes e mulheres vítimas de violência sexual, que foi reproduzido graficamente e distribuído aos serviços. Também foi elaborado material gráfico com sintomas de violência, locais de atendimento e denúncia, cartilhas conceituais para profissionais sobre os diversos tipos de violência e cartazes com os sinais e sintomas de violência e locais de denúncia e atendimento para a população em geral.
Outro fator positivo foi a aproximação e a participação concreta de representantes do Conselho Tutelar e Ministério Público nos grupos, informando, orientando e dando mais segurança às ações dos profissionais dos diversos serviços.
Como resultado quantificado do primeiro ano de atuação dos 13 grupos, houve um aumento de mais de 130% nas notificações do SINAN. Podemos citar que em 2010 existiam 40 notificações; em 2011, 57; em 2012 foram 344; em 2013 foram 513; em 2014, 515 e em 2015 elas totalizaram 646.
O mais recente produto da rede foi a criação do “Comitê de prevenção e posvenção ao suicídio”, que foi criado através de portaria específica da secretaria de saúde em 2016, composto por profissionais da secretaria de saúde e de assistência social. O grupo já realizou 6 turmas de capacitação sobre o tema, para todos os profissionais que trabalham na rede municipal de saúde.

Conclusões e ou recomendações para a saúde pública

A proposta de atenção à violência em uma rede de grupos descentralizados é uma construção constante: dos caminhos possíveis entre os desafios que a violência impõe e da adequação das possibilidades existentes. O conhecimento sobre o conceito de violência, o território onde ela ocorre e os serviços nele existentes, resulta na necessidade de se estabelecer estratégias de atenção que privilegiem o trabalho intersetorial, e que considerem o indivíduo como alguém que habita esse território e nele precisa encontrar meios de enfrentamento das dificuldades.
Com a continuidade do processo de trabalho, a percepção dos membros da rede, foi de que uma ação isolada não indica efetividade no atendimento e, que somente pela união de esforços, pode-se enfrentar os desafios impostos pela violência. Ao se compartilhar experiências, cria-se maior comprometimento, multiplicam-se possibilidades, diminuem-se angústias e aumentam-se as chances das pessoas serem atendidas em sua integralidade, sendo esta talvez, a única possibilidade de efetivação da política de promoção da saúde no que diz respeito à cultura da paz.

Anexos

Mapa dos 13 grupos e seus territórios


Gráfico do número de notificações de 2010 a 2015




Ficha de Notificação Compulsória - SINAN
Ficha de encaminhamento ao Conselho Tutelar, Delegacias e CREAS
Rede de Violência: Grupos locais da Rede de Violência
Rede de Violência: Implantação de redes locais de prevenção da violência no município de Maringá
Rede de Violência: Implementação de ações de prevenção e posvenção ao suicídio no município de Maringá
Rede de Violência: Boletim do Comitê de Prevenção e Posvenção ao Suicídio
Maringá

Secretaria Municipal de Saúde

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Maringá - Paraná - Brasil

Fone: (44) 3218-3100